"Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo." Foucault

Minha foto
"Alquimia de ventilador, poesia de liquidificador..."

domingo, 25 de abril de 2010

toc, toc, toc...




Toc, toc, toc, toc...
não é batida na porta,
é o barulho do salto na calçada.



toc, toc, toc, toc...
reviro a bolsa tiro o celular,
vibrando e gemendo com a musiquinha da moda.



toc, toc, toc, toc...
rio, gargalho, falo alto
o mundo gira em meu umbigo.



Toc, toc, toc, ops!



Tropeço em algo,
trapos a envolver,
jornais ao redor,
odor de sujeira.
“Por que no meio do meu caminho?!?”
Ignoro o ser que um dia foi humano,
Hoje, mera pedra no caminho da correta humanidade.



Toc, toc, toc, toc...



Imagem que diz muito mais do que as minhas palavras...

domingo, 11 de abril de 2010

Sereno

A pálpebra pesa.
O sereno machuca.
Mas a fogueira ainda queima,
Apesar das próprias cinzas.
Se reinventa, fênix inconsolada,
Galvanizada e marmorizada,
Na pele e na alma daquele que caminha.

Mas o sereno ainda cai.
A pálpebra mais uma vez se fecha.
Mas apesar dos esforços,
O mundo ainda está lá
Tão fora de si,
Tão dentro de mim...

Mas o sereno desanima.
A tempestade se aproxima.
E a pálpebra trêmula,
Arranha minha retina.
Mas ainda assim vejo,
A tempestade que se aproxima.
Mas ainda assim a fogueira arde,
Apesar de suas cinzas.
Mas ainda assim ele caminha,
Apesar da minha vida.

.fran.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Sobre Meninos e Nuvens



Num pátio azul
Nuvens brincam de se reinventar
Se transformam
Mudam a forma,
talvez a textura,
quem sabe a densidade.

Uma baila feito um pássaro
Outra se arrasta como um dinossauro
Outras se sucedem como ondas de um mar calmo
E ainda como ondas do mar,
se chocam e choram a chuva.

Mas aquele menino mira o céu
E com espanto descobre os segredos das nuvens
Que brincam de vir a ser o ser que querem ser
Por ter apenas a incompletude de si...

E o menino se percebe sem mundo ter,
Inquieto por não ter o que...
Sem ser pássaro, nuvem ou água,
Sonha em também poder se inventar,
transmutar a realidade fria,
e mesmo descalço com o pé no chão,
no chão de um mundo em que ele simplesmente possa ser...
e assim tomar impulso e voar
Mais alto que as nuvens, suas guias.



Roubando palavras:

“Digo adeus a ilusão
mas não ao mundo.
Mas não à vida,
meu reduto e meu reino.
Do salário injusto,
da punição injusta,
da humilhação,
da tortura,
do terror,
retiramos algo
e com ele construímos um artefato
um poema
uma bandeira.”
Ferreira Gullar

sexta-feira, 12 de março de 2010

Marketing pessoal



Minha calça define meu corpo e meu caráter
Minha bolsa e sua etiqueta confirmam minha existência
Meu sapato, subsídio da minha vida
O que eu sou é marca aberta, visível
out-door ambulante e curvilíneo.
Nada tenho a esconder, sou uma embalagem.
(e ainda pago para assim ser)



.:Fran:.

domingo, 7 de março de 2010

Meu encaixe




Meu encaixe é do lado de fora,
de fora dessa sociedade que exclui e discrimina,
de fora das convenções de relacionamento,
de forado padrão homo-heterossexual.
É também de fora, ou de longe,
da cristã dicotomização: bem x mal.
Estou ainda onde todos esperam me encontrar:
o rapaz exemplar!
E tod@s que querem me ver encaixado,
ainda não perceberam meu encaixe!

(versos de um amigo-irmão-companheiro de viagens filosóficas)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Pseudo-Serial Killer

Acordei meio serial killer.
Com ajuda de um punhal feri a madrugada,
Sangrei o sol entre as nuvens,
as estrelas ainda como cúmplices,
piscaram pela última vez em consentimento.

Assassinei a madrugada insone,
amante-filha de Morpheus.
A cínica acolhedora,
a propor sonhos e pesadelos,
conheceu o fim pelas minhas mãos.

Mas que assassino fajuto sou,
cuja a vítima retorna para me assombrar,
me obrigando a cometer o rito,
de novo e de novo,
toda a vez em que abro os olhos.

...
(sono)
...

Na próxima vida volto Serial Kisser,
Beijando o mundo ao romper do dia.

(Fran)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Beijo e Fim

Cheiro de canela
novelesco romance, saborosa paixão?
- hum... sei não...

Um “que” de Jorge Amado e sua Gabriela
Mas nada muito dramático.
Na verdade drama algum.
Nada de Julieta e Tristão,
Ou Isolda e Romeu.
Só um lance assim
meio despretensioso
sem muitos alardes
O beijo e o combate, sorrisos e amizade.
The End. Fim.
Nem todo amor precisa de final feliz.