Subo no ônibus.
Vejo pernas compridas que terminavam em tênis de trilha.
- Legal.
Pago a passagem e me encosto na janela, ao lado dele.
- Perfume bom.
Olho disfarçadamente, cabelo desarrumado, barba por fazer...
- hum, gatinho...
Olho para meu all star, sentindo a presença dele ao meu lado.
- Faço o quê?
Olho pra janela, meu ponto chegando, tomo coragem e olho pra ele.
(suspiro)
Ele também me olha, também me observa, mas me dirijo para porta.
- Ele ainda me olha!
Desço do ônibus, paro, me viro e continuo olhando pra ele.
E ele pra mim.
O ônibus arranca, seu olhar se perde na distância.
Caminho.
Será que acredito em amor à primeira vista?
- Sei não...
Mas todo ônibus que eu ando me traz uma nostalgia do que poderia ter sido.
(baseado em fatos reais, acontecidos em meados de março de 2010 )
Um blog pretenciosamente eclético, poético, ético, dialético, e Otras Cositas Mas...
"Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo." Foucault
quarta-feira, 14 de julho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Minha Tempestade
Trovões me gritam.
Raios clamam por mim,
Seus clarões me hipnotizam,
E eu, cega e surda para tudo mais,
Mergulho na tempestade de cabeça erguida.
.:Fran:.
domingo, 25 de abril de 2010
toc, toc, toc...

Toc, toc, toc, toc...
não é batida na porta,
é o barulho do salto na calçada.
toc, toc, toc, toc...
reviro a bolsa tiro o celular,
vibrando e gemendo com a musiquinha da moda.
toc, toc, toc, toc...
rio, gargalho, falo alto
o mundo gira em meu umbigo.
Toc, toc, toc, ops!
Tropeço em algo,
trapos a envolver,
jornais ao redor,
odor de sujeira.
“Por que no meio do meu caminho?!?”
Ignoro o ser que um dia foi humano,
Hoje, mera pedra no caminho da correta humanidade.
Toc, toc, toc, toc...

Imagem que diz muito mais do que as minhas palavras...
domingo, 11 de abril de 2010
Sereno
A pálpebra pesa.
O sereno machuca.
Mas a fogueira ainda queima,
Apesar das próprias cinzas.
Se reinventa, fênix inconsolada,
Galvanizada e marmorizada,
Na pele e na alma daquele que caminha.
Mas o sereno ainda cai.
A pálpebra mais uma vez se fecha.
Mas apesar dos esforços,
O mundo ainda está lá
Tão fora de si,
Tão dentro de mim...
Mas o sereno desanima.
A tempestade se aproxima.
E a pálpebra trêmula,
Arranha minha retina.
Mas ainda assim vejo,
A tempestade que se aproxima.
Mas ainda assim a fogueira arde,
Apesar de suas cinzas.
Mas ainda assim ele caminha,
Apesar da minha vida.
.fran.
O sereno machuca.
Mas a fogueira ainda queima,
Apesar das próprias cinzas.
Se reinventa, fênix inconsolada,
Galvanizada e marmorizada,
Na pele e na alma daquele que caminha.
Mas o sereno ainda cai.
A pálpebra mais uma vez se fecha.
Mas apesar dos esforços,
O mundo ainda está lá
Tão fora de si,
Tão dentro de mim...
Mas o sereno desanima.
A tempestade se aproxima.
E a pálpebra trêmula,
Arranha minha retina.
Mas ainda assim vejo,
A tempestade que se aproxima.
Mas ainda assim a fogueira arde,
Apesar de suas cinzas.
Mas ainda assim ele caminha,
Apesar da minha vida.
.fran.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Sobre Meninos e Nuvens

Num pátio azul
Nuvens brincam de se reinventar
Se transformam
Mudam a forma,
talvez a textura,
quem sabe a densidade.
Uma baila feito um pássaro
Outra se arrasta como um dinossauro
Outras se sucedem como ondas de um mar calmo
E ainda como ondas do mar,
se chocam e choram a chuva.
Mas aquele menino mira o céu
E com espanto descobre os segredos das nuvens
Que brincam de vir a ser o ser que querem ser
Por ter apenas a incompletude de si...
E o menino se percebe sem mundo ter,
Inquieto por não ter o que...
Sem ser pássaro, nuvem ou água,
Sonha em também poder se inventar,
transmutar a realidade fria,
e mesmo descalço com o pé no chão,
no chão de um mundo em que ele simplesmente possa ser...
e assim tomar impulso e voar
Mais alto que as nuvens, suas guias.
Roubando palavras:
“Digo adeus a ilusão
mas não ao mundo.
Mas não à vida,
meu reduto e meu reino.
Do salário injusto,
da punição injusta,
da humilhação,
da tortura,
do terror,
retiramos algo
e com ele construímos um artefato
um poema
uma bandeira.”
Ferreira Gullar
sexta-feira, 12 de março de 2010
Marketing pessoal
domingo, 7 de março de 2010
Meu encaixe

Meu encaixe é do lado de fora,
de fora dessa sociedade que exclui e discrimina,
de fora das convenções de relacionamento,
de forado padrão homo-heterossexual.
É também de fora, ou de longe,
da cristã dicotomização: bem x mal.
Estou ainda onde todos esperam me encontrar:
o rapaz exemplar!
E tod@s que querem me ver encaixado,
ainda não perceberam meu encaixe!
(versos de um amigo-irmão-companheiro de viagens filosóficas)
de fora dessa sociedade que exclui e discrimina,
de fora das convenções de relacionamento,
de forado padrão homo-heterossexual.
É também de fora, ou de longe,
da cristã dicotomização: bem x mal.
Estou ainda onde todos esperam me encontrar:
o rapaz exemplar!
E tod@s que querem me ver encaixado,
ainda não perceberam meu encaixe!
(versos de um amigo-irmão-companheiro de viagens filosóficas)
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