De essência estranha ao mundo
o que um anjo pode almejar?
Asas mais resistentes,
porte de arcanjo,
o poder de dominar outros planos.
Mas eu, de carne e sangue...
sal, suor e sol,
sem mandos no etéreo,
não posso entrona-lo
como senhor de céus e mares.
Talvez lança e espada
fizesse seu regalo.
Poder e determinação,
perseverança potencializada.
Guerreiro de vidas e almas.
Mas eu, de meu espelho,
Invertendo a Vênus,
não fui aceita por Marte.
E despida de minhas armas e ferramentas
como forjar uma lâmina celeste?
Talvez um belo escudo.
Proteção é sempre querida.
Enfrentar céus e terras
levando em frente seu emblema,
uma esfinge de asas.
Mas eu, entre cacos
do castelo de cristal
que insisto em destruir,
como conceber armaduras
se luto para romper grilhões...
No meu desassossego
de rememorar o solstício de sua vida
questiono as paredes
“o que dedicar a ele?
O que de meu tenho,
o que legitimo me é,
para oferecer à quem amo,
a quem me permitiu amar?”
Nas paredes mudas
ecos de mim reverberaram
e a resposta que procurava,
incrustada em meu ossos esperava.
Transmuto minha alma em asas
e me recrio em horizonte distantes
para meu anjo conquistar.
Meu coração em brasas
se forja como lança,
pronto para lutar pelo ser que ama.
Meu peito ofegante
como escudo se orna
e por carne e sangue
me conservo como refúgio.
Me reconfiguro por ele,
pois só me tenho,
só domino a mim.
Mas ao remodelar a massa,
não substituo substância,
e continuo reles e mortal.
Ainda que amor faça parte da essência,
A essência é muito maior que o molde.
.::Fran::..
Um blog pretenciosamente eclético, poético, ético, dialético, e Otras Cositas Mas...
"Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo." Foucault
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Devias Ser...
Deveras ser
De ver o ser
De vir a ser
De verão ter
De tesão ter
De ser tão em querer
De não ser vão em viver
De não ter dó em doer
De não ser, só pra ser
De não ter, só pra ter
De sua mão estender
De seu coração acolher
De imensidão escolher
De compaixão viver
De inspiração manter
De imaginação se desfazer.
De caminhar e se (re)fazer.
.::Fran::.
De ver o ser
De vir a ser
De verão ter
De tesão ter
De ser tão em querer
De não ser vão em viver
De não ter dó em doer
De não ser, só pra ser
De não ter, só pra ter
De sua mão estender
De seu coração acolher
De imensidão escolher
De compaixão viver
De inspiração manter
De imaginação se desfazer.
De caminhar e se (re)fazer.
.::Fran::.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Receita de Ano Novo - Drummond
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
sábado, 11 de dezembro de 2010
Humano ou Direito?
Direitos humanos,
Só para humanos direitos?
Mas quem diz direito?
Quem escreve direito?
Quem anda direito?
Quem fala direito?
Quem fala de direitos?
Quem fala aos direitos?
O que é direito?
Quem não é direito?
É humano ou é direito?
Desumano não ter direitos?
Onde estão os direitos?
Onde estão os não direitos?
Quem diz que é direito?
Quem procura o que é direito?
Pra quem são os direitos?
Onde estão os direitos?
Pra quem são os direitos?
Onde estão os direitos?
Como ser direito
Se não tenho direito
A ter direitos?
Enquanto o direito não for humano,
Meu coração vermelho e desavergonhadamente humano
Batuca violentamente à esquerda.
..::Fran::..
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Pseudo-auto-manual de (des)instrução
Contraditória sempre,
Monótona as vezes.
Feminista sempre,
Romântica quase todas as vezes.
Utópica sempre,
Pés no chão, nem sempre.
MPB e rock sempre,
Suor e samba as vezes.
Chocolate sempre.
Se for Diamante Negro é constância.
Livros todas as vezes,
DVDs nem sempre.
Me beije sempre,
E abrace mais ainda.
Dialeticamente me contraponha,
Mas concorde ao menos uma vez.
Movimento sempre,
De contestação, mudança, revolução.
Amor sempre,
Sempre que for preciso.
Desejo sempre,
Sempre que for bem-vindo.
Respeito sempre,
E sempre que não houver respeito,
Contestação, direito e justiça.
Vida sempre,
Com dignidade, conquistas e prazer.
Relativa sempre,
Historicidade permanente.
Culturalmente construída.
Uma mulher a se fazer.
.::Fran::.
Monótona as vezes.
Feminista sempre,
Romântica quase todas as vezes.
Utópica sempre,
Pés no chão, nem sempre.
MPB e rock sempre,
Suor e samba as vezes.
Chocolate sempre.
Se for Diamante Negro é constância.
Livros todas as vezes,
DVDs nem sempre.
Me beije sempre,
E abrace mais ainda.
Dialeticamente me contraponha,
Mas concorde ao menos uma vez.
Movimento sempre,
De contestação, mudança, revolução.
Amor sempre,
Sempre que for preciso.
Desejo sempre,
Sempre que for bem-vindo.
Respeito sempre,
E sempre que não houver respeito,
Contestação, direito e justiça.
Vida sempre,
Com dignidade, conquistas e prazer.
Relativa sempre,
Historicidade permanente.
Culturalmente construída.
Uma mulher a se fazer.
.::Fran::.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
um golinho de Amor descrito por Drummond
"O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar"
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Amo
tantas palavras foram utilizadas pra descrever o amor
alguns poetas se aproximam...
mas minhas simples palavras não possuem essa amplitude,
então faço a opção por sentir.
Amo.
E essas três letras preenchem todo o meu ser.
Fran
alguns poetas se aproximam...
mas minhas simples palavras não possuem essa amplitude,
então faço a opção por sentir.
Amo.
E essas três letras preenchem todo o meu ser.
Fran
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